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2005-10-21

Municípios da Lezíria do Tejo apostam na Agenda 21

Lezíria do Tejo aposta na Agenda 21 para decidir áreas de intervenção dos Fundos Estruturais do próximo ciclo de Programação Financeira

Municípios da Lezíria do Tejo apostam na Agenda 21

Os onze municípios da Lezíria do Tejo – Almeirim, Alpiarça, Azambuja, Benavente, Cartaxo, Chamusca, Coruche, Golegã, Rio Maior, Salvaterra de Magos e Santarém – em parceria com a Comunidade Urbana da Lezíria do Tejo (CULT) - iniciam em Novembro a elaboração da Agenda 21 da Lezíria do Tejo, a primeira de nível regional em Portugal. À necessidade de identificar as prioridades de investimento do próximo ciclo de intervenções estruturais, somou-se a ambição dos autarcas destes onze municípios e da CULT em garantir a sustentabilidade das políticas públicas mediante um processo de participação alargada da população.
A preparação do "QCA 2007-2013" revelou-se uma oportunidade privilegiada de operacionalizar o conceito de desenvolvimento sustentável - um compromisso sério com o desenvolvimento sustentável requer que também as opções financeiras sejam devidamente ponderadas em função deste desígnio.
Não é desprezável a constatação de que algumas tendências pesadas em termos de insustentabilidade continuam a preocupar-nos e a constituir desafios substanciais, tais como o agravamento da mobilidade urbana, a pressão crescente sobre os recursos naturais, a incapacidade de inverter o declínio da biodiversidade, o aumento dos problemas de saúde relacionados com a poluição, entre muitos outros.
As questões da sustentabilidade do desenvolvimento estão hoje, mais do que nunca, na ordem do dia. Desde a Cimeira de Estocolmo, em 1972, que o desenvolvimento sustentável marca as agendas políticas mundiais e nacionais. Não há dúvidas sobre a indispensabilidade de passarem igualmente a marcar as regionais e locais.
A Agenda 21  é a designação dada a um programa de acções para atingir o desenvolvimento sustentável que foi aprovada na Cimeira da Terra em 1992 e que constituiu uma das mais ousadas tentativas de promover um novo padrão de desenvolvimento. Foi defendido neste documento uma forma significativamente inovadora de planeamento: uma abordagem “bottom-up”. Pela primeira vez, o desenvolvimento foi reconhecido como um processo que deveria ser pensado e definido com uma forte participação dos seus principais destinatários: as pessoas.
Em Portugal, a Agenda 21 tem tido um grau de realização pouco expressivo, mas a nível local já várias autarquias avançaram com este processo. Pensamos que as “figuras” supra-municipais representarão um papel essencial neste domínio. A nossa opção pela Agenda 21 revela o nosso empenho em dinamizar o progresso do desenvolvimento sustentável ao nível regional e local e demonstra também que, para além das questões financeiras, consideramos fundamental que o processo de planeamento deste próximo ciclo permita “dar voz” à população.
A concretização do futuro que desejamos exige que estejamos todos envolvidos e empenhados na sua construção. As autoridades supra-municipais e locais têm um papel insubstituível na transição para uma sociedade sustentável. Sem estratégias regionais e locais de desenvolvimento sustentável, as estratégias nacionais não serão plenamente concretizadas. A sustentabilidade do desenvolvimento depende de acções colectivas mas também de acções individuais.
Reconhecemos que cabe à Administração uma responsabilidade especial e particularmente relevante neste processo: a de clarificar sobre as potenciais consequências das opções e a de esclarecer sobre a necessidade de promover alterações de comportamentos. A administração deve, com base no melhor conhecimento disponível, identificar as melhores escolhas em matéria de desenvolvimento e, acima de tudo, evitar, se a orientação for errada, que prossigamos por esse caminho.
Temos hoje consciência de que não podemos perspectivar uma melhor qualidade de vida sem assumir um pacto firme com o desenvolvimento sustentável. Acreditamos que não existe incompatibilidade entre intervenções dirigidas para o crescimento económico, para o reforço da coesão social ou para a protecção do ambiente, desde que tenhamos presente que nenhum destes desígnios deverá ser ignorado ou marginalizado.
A Lezíria do Tejo sofreu um crescimento significativo nos últimos quinze anos, tendo convergido claramente para a média nacional e tendo sido realizado um esforço notável na promoção da coesão social, mas apresenta um perfil produtivo assente sobretudo na exploração dos recursos naturais e em economias de escala – estas duas questões serão devidamente equacionadas no âmbito do processo de desenvolvimento e posterior implementação da Agenda 21.
Durante um ano iremos promover várias sessões de debate com interlocutores privilegiados e com a população sobre o futuro da Lezíria. Disponibilizar formas de participação do público e garantir o envolvimento da população constituem formulação aparentemente próximas, mas em termos práticos são bastante distintas: o sucesso da  Agenda 21 implica o pleno da população. E é esse o nosso objectivo. Encontraremos formas de contornar as dificuldades, de superar os desafios e de maximizar as oportunidades.
Fonte: CULT-Online, Outubro 2005

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