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Festa do Arripiado

No mês de Agosto temos festa nas duas terras irmãs (Arripiado e Tancos)

Festa do Rio e das Aldeias

:: A Fé e a Festa

Pela Fé nos elevamos ao cimo da Criação. Somos gente porque cremos, cremos porque duvidamos, a Fé nasce da incerteza e da eterna procura da nossa tranquilidade. Pode não ser Fé em Deus, nem todos temos de a ter. Pode ser fé em nós próprios ou numa forma qualquer de atingir o bem-estar. O importante afinal é que haja alguma coisa que oriente a nossa vida. Pela Festa nos enlevamos e nos sentimos felizes. A Festa  é a expressão da alegria que vem do mais profundo de nós, a maneira colorida de mostrar a nossa alma.
Na roda de um ano inteiro vamos rodando as Festas ao ritmo da Natureza. E nas arenas das praças vivemos uma outra Festa, feita de terra e de gado, com muita fé à mistura. Fé Festa são irmãs, andam sempre de mãos dadas. São dois lados do nosso ser, precisamos de uma e de outra para nos sentirmos bem. É a Fé que nos ajuda a entender o sentido em que corre a nossa vida e bom será que saibamos dar-lhe um toque de alegria que faça dela uma Festa.

:: Procissão de S. Marcos e Nossa Senhora da Piedade

Duas terras, um rio. Arripiado e Tancos, o Tejo corre a juntá-los. Virados um para o outro, há tanto tempo assim perto, olhos nos olhos, a vida dum lado e doutro do rio, é comum o modo de estar que o Tejo traçou a ambos.

Sempre o sítio foi de passagem, desde a mais remota era, porque aqui o rio é estreito, se comparado com, o que se espraia a jusante, e é fundo todo o ano, nem que seque noutros lados. Sempre os homens aqui passaram, para a conquista, para o comércio, para o trabalho, para o Passeio.

Sempre aqui existiram barcas para ajudar a passagem e ainda resta uma, herdeira de tantas travessias, ir a Tancos e voltar, um vaivém que nunca acaba.

Ponte é que nunca houve, vá lá saber-se porquê, sendo o sítio de passagem. A não ser pontes de barcas, essas sim já se fizeram e não foi há muito tempo.

Há-de haver quarenta anos ainda se viu uma ponte dessas, erguida por algum tempo, por onde passavam homens e também Nossa Senhora.

Era trabalho de soldados, ponteneiros de especialidade, que aqui tinham instrução e consistia ela em pôr a ponte no Tejo, do Arripiado a Tancos. Durante um mês ou dois, sempre em tempo de Verão, escusavam de andar as barcas, era pela ponte a passagem. E nessa altura aproveitava-se o ensejo para levar ao Arripiado a Senhora da Piedade, quando Tancos estava em festa. Do outro lado do rio, onde agora está o cais, num largo que é de S. Marcos, como diz a toponímia, havia uma capela onde o santo tinha altar e à qual dava o seu nome. Era sítio por onde o Tejo entrava, sempre que havia cheia, e acabou por ser a capela demolida e substituida pela igreja que agora se ergue lá mais no alto da aldeia.

Igreja de S. Marcos no Arripiado

Foto > Igreja de S. Marcos no Arripiado

Nos tempos da procissão, ia a Senhora da Piedade à capela de S. Marcos, dava a volta à povoação e voltava a Tancos pela ponte. Era um momento especial da vida das duas terras, quando a Senhora selava esta amiga vizinhança. Acabaram os ponteneiros e as pontes que eles faziam. Deixou, por isso, de se fazer a procissão. Correram os anos, mas ainda há quem se recorde, nas gerações mais antigas, de ver com os próprios olhos o que mostram as fotografias.

E então surgiu a idéia de repôr a procissão, levando de barco a Senhora, de Tancos ao outro lado do Tejo.

E foi bonito de ver, e cheio de significado, a gente de um lado e de outro satisfeita com o reencontro da Senhora da Piedade e de S. Marcos vizinho, há tantos anos à espera que os homens os juntassem, aproximando-se mais uma terra de outra terra, tendo o rio que as une.

No ano seguinte retribuindo a visita, S. Marcos passou a visitar Tancos. Assim todos os anos em Agosto Nossa Senhora da Piedade e S. Marcos se visitam mutuamente, não sendo o Tejo barreira, para a amizade entre vizinhos e para a alegria de ter um amigo na frente do nosso olhar.

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