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Procissão e Festa da Lagartixa

Faz-se em Maio a procissão com a Senhora da Luz (Fátima) em Tamazim...

Festa da Lagartixa em honra à  N. Sra da Luz

Pertinho do Semideiro na bonita Freguesia de Ulme, podemos encontrar uma pequena aldeia muito ligada ao trabalho da floresta e dos arrozais da Ribeira de Ulme, mal se entra para a charneca, há um casal sem ninguém como acontece com muitos por estas terras do Sul. É chamado Tamazim e fica para lá do risco já no Concelho de Abrantes alguns metros, coisa pouca, que só quem sabe é que nota. Em Tamazim há uma Capela de privada devoção e colectiva romagem. Em vários casais de outrora, em, especial nos mais ermos, havia o costume de erguer uma singela capelinha para que o espaço de Deus estivesse perto dos homens, a de Tamazim é da invocação de Nossa Senhora da Luz.
A imagem, por prudência, guarda-se na Cascalheira, outro casal ali perto, que é da mesma família e tem gente em permanência. É que nos tempos de agora, e é com mágoa que se diz, nem os santos estão seguros, não há respeito por nada quando se quer fazer mal.
Da Cascalheira a Tamazim, por caminhos de sobreiros, faz-se em Maio procissão com a Senhora da Luz. Não é em todos os maios, é só quando há alguém que toma em mãos o encargo de pôr a festa de pé. E a festa da Lagartixa, curiosa designação que o povo arranjou para baptizar este encontro da gente do Semideiro com Tamazim e a Senhora, no tempo de Maio florido, quando as lagartixas saem a invadir os caminhos onde passa a procissão.

Capela da N. Sra da Luz em Tamazim
É na Cascalheira que o povo se concentra, logo pela manhãzinha, para organizar o cortejo. São mais mulheres do que homens, aqui a prática da fé fala mais no feminino, e há muitas raparigas novas que acompanham as mães, com elas aprendendo o gosto pela tradição. Depois sai a procissão podia ir ao Semideiro, que é melhor o caminho e com mais gente para ver. Mas não, mete logo pela charneca e vai até Tamazim, por onde não há ninguém, nem uma casa sequer, nada para abençoar. que curioso trajecto, vá lá a gente entender... 0 que há são lagartixas, às centenas por ali, que sempre vêm à festa e lhe ficaram no nome. Vai-se rezando o terço enquanto a procissão avança. Afinal estamos em Maio, mês de Maria e de Fátima, mês do rosário portanto. E revezam-se as pessoas no transporte do andor, todos querendo participar, tocar com as próprias mãos os objectos de culto.

Em Tamazim é a missa e fica exposta a Senhora, até ao final da tarde, para que todos a vejam, possam pedir e agradecer, pagar alguma promessa, ou simplesmente olhar e recolher-se uns instantes.

Dantes levava-se farnel e por ali se comia. Agora há uma comissão que assa uns frangos e prepara uns petiscos, assim poupando o carrego de lavar tudo de casa e angariando algum dinheiro para obras na aldeia, como o restauro da igreja, para dar um exemplo recente. Alguns comem e permanecem nas imediações da Capela, por entre grandes acácias, festejando o sol de Maio, participando na festa e pondo em dia a conversa. Outros levam para casa o frango, num percurso ao contrário do que era amtigamente, vão comer à sua mesa e voltam depois à tarde para acompanhar a procissão no retorno a Cascalheira.

Recolhe a Senhora da Luz ao casal onde há gente que pode zelar por ela. Ficará nas mãos dos homens até que os homens decidam levá-la de novo a Tamazim. Até lá, fica a capela sozinha, esperando pela Senhora. E pelos caminhos da charneca, aguardando nova festa há milhares de lagartixas. Enquanto houver procissões não faltarão a nenhuma.

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