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Festa de Toiros

No coração do Ribatejo, é tradição e costume a Festa Brava...

 

 

Não se imagina o Ribatejo sem toiros e sem toureiros e sem touradas portanto. Festa da terra e do mundo rural, faz parte da alma que temos, da nossa relação ancestral com o campo e com o gado, do nosso jeito de fazer da vida uma festa e do risco um modo de a engrandecer.
 
Por essa lezíria além e pelas herdades da charneca toiros e cavalos que partilham connosco o espaço em que nos movemos, a terra a que nos afeiçoamos, a vida que nos interliga. Gerações e gerações, vários Séculos contados, fomos formando este ser, no trabalho com o gado, no risco das tralhoadas, na alegria das ferras, na exigência das tentas, na emoção das largadas, no colorido das entradas, no entusiasmo das corridas, quando, o sol aquece as tardes e desafiamos o destino no redondo de uma Arena Chamusquense. É um estar que não se explica, sente-se e isso nos basta, nem tudo pode ser dito, a alma não se representa e vive dentro de nós.
 
De muita se faz a Festa. De muitos rituais, gestos, objectos, que são assim porque sim, a , como a alma, vive-se, Não tem de ser explicada. Mas no lio de um toureiro, a par do traje de luces, nunca há-de deixar de ir as imagens da sua devoção, a Virgem Macarena, o Sagrado Coração, Nossa Senhora de Fátima, o Senhor da Misericórdia, são elas que dão conforto e inspiram segurança porque o risco existe e um homem tem um coração a bater e emoções, incertezas, momentos em que um simples milímetro, ou nem tanto, separa a morte da vida
 
Na sua frente está o toiro, o mais nobre dos animais. Não é inimigo o toiro, não lhe quer mal o toureiro, é por tanto gostar dele e de sentir as emoções de tão chegada presença que ali está, num gesto de desafio e de profundo respeito. 0 destino os juntou, foi assim que a sorte quis, a lide vai ser um jogo em que a vida se decide.Figura central da Festa é o toiro, esse estranho animal, pujança da Natureza, enigmático, misterioso, sedutor. Desde o tempo das cavernas, basta, atentar na arte que o Homem deixou na rocha, que o toiro nos enfeitiça. Há aqueles a quem condiciona mesmo a vida, deixam tudo, vão atrás dele, correm riscos, tentam aprender a conhecê-lo, atrevem-se a desafiá-lo. Alguns dominam-no. Esses são toureiros. E o toiro a sua paixão.

Como ver o Toiro durante a lide...

 

Permitam a metáfora: podemos afirmar que o toiro quando sai à arena é como uma criança, com as suas singularidades, a que há que educar. Há tantos toiros como personalidades possamos imaginar. Cada toiro terá a sua identidade, adquirida geneticamente. Sobre ela haverá que tomar diferentes posturas por forma a acercar-nos o mais possível do fim que perseguimos: que chegue à muleta luzindo as melhores qualidades para realizar o toureio. 

Haverá toiros aos que há que consentir; outros que deverão ser submetidos a uma dura pressão para os tornar obedientes; outros que devem ser mimados; outros com boa disposição e que há que cativar; outros que necessitam que se lhes ensine tudo; outros que têm de ser convencidos a pouco e pouco.... Se nos equivocarmos e lhes dermos a lide errada, faremos com que saque o pior de si, que acentue os seus piores defeitos ou ganhe maus vícios.

Isto, que deve ser tomado em conta ao largo da lide, fica marcado de forma especial na hora de bregar com o capote. Este tércio será aquele em que melhor poderemos analisar todas as variações de comportamento que possa experimentar e que serão determinantes para o desenvolvimento da lide no tércio de muleta.
Com um bom subalterno descobriremos as características quase definitivas que o toiro vai mostrar na muleta. Podemos dividir a lide com o capote em duas amplas perspectivas: por um lado a que marca as distâncias, e por outro a que descreve a linha a seguir pelo toiro.

As bandarilhas...

O tércio de bandarilhas não é um mero trâmite no decurso da lide. Trata-se de um novo castigo e, ao mesmo tempo, tentar reactivar as condições do toiro após o duro castigo das varas. O toiro deverá sempre ser bandarilhado pelos dois lados por forma a equilibrá-lo mais. É importante para verificarmos também os terrenos e as querenças do toiro e também para medir as distâncias e a sua forma de arrancar para o bandarilheiro e as suas reacções ao castigo. 

Terceiro Tércio: A muleta...

Os médios são os terrenos mais idóneos para se tourear. Um toiro bravo terá tendência a esse local enquanto o manso buscará as tábuas e defender-se-à menos quanto mais perto das tábuas estiver. O melhor toiro será aquele que mais e melhor permita a realização do toureio mais puro, segundo os cânones. Mas esse toiro é quase de sonho.
Assim, veremos os toureiros a tentarem sacar o máximo partido dos toiros que mais se prestem ao luzimento e a lutar contra os mansos que se defendem e tornam quase impossível que o toureiro se possa esmerar e relaxar para realizar a faena sonhada. Aquela que permite o triunfo ansiado. A intuição do toureiro, a sua capacidade de improviso, aliadas à sua técnica, jogam o papel principal. Depois, terá inevitavelmente de vir o momento da sorte suprema: a morte. E quanto mais rápida e efectiva, mais bela e importante será. Dará ao toiro o seu último momento em que poderá colher e matar o homem que durante alguns minutos com ele dançou uma dança perigosa e bela, de vida e de morte, de glória e tragédia. Sublime... 

 

:: 0 CAVALEIRO


Em praça, enfrentando o toiro, cavaleiro e cavalo. São dois, homem e animal, mas é bom que seja um só o jeito de tourear, um e outro sintonizados numa relação de compromisso, de completa identificação, porque disso depende a qualidade da lide e a própria vida de ambos. Quem vê toureio a cavalo, assim uma vez por outra, nao faz a mínima ideia do caminho que se faz para se chegar ali, as Muitas horas de treino, a imensa persistência, a paixão que é precisa. Porque a lide a cavalo tem duas artes em si, é toureio e equitação, um homem, dois animais, inteligência, instinto e força, não está ao alcance de todos.0 cavalo é um animal extraordinário. Aprende, afeiçoa-se, obedece, confia, entrega-se. Pressente tudo o que sente o cavaleiro. Sofre e vibra com ele. E há cavalos toureiros aqueles que vêem o toiro e o lêem antes do cavaleiro, ele próprio.

Entre cavaleiro e cavalo tem de haver descontracção e absoluta confiança. A comunicação entre os dois, para ser feita a preceito, há-de ser imperceptível e ambos têm de sentir que o outro dá garantias de completa segurança. Se a sorte é em em linha recta, só para dar um exemplo, há um momento em que o toiro crê que vai colher pelo peito o cavalo que aí vem. Nessa altura, uma ordem do cavaleiro poderia ser catastrófica. Há que o soltar e deixar ir, ele sabe tourear, até onde pode um homem confiar num animal... 

Em praça também está a quadrilha, homens em quem o cavaleiro tem completa confiança. Entre todos é fundamental a harmonia, não apenas no que respeita à técnica, mas também à amizade, à cumplicidade, estamos a falar de uma situação em que tudo está em jogo, não se pode esquecer isso.

Assim que irrompe na praça, tem o toiro de ser dominado em quatro lances de capote. Se não for, dificilmente será, mas, sendo, ficará dócil, se assim se pode dizer e, tendo casta, obedece ao milímetro. Tourear é saber tirar partido desta característica do animal.

A colhida é sempre uma imprevidência, fruto da ignorância ou do excesso de confiança. 0 toiro, animal nobre, nao tem malícia em si, mas não admite ser desrespeitado em praça, nem perdoa imprevidências. A culpa é sempre do homem, o único que nesta arte dispõe de inteligência e é portanto capaz de administrar os instintos.

Nem sempre a sorte sorri. Os fracassos acontecem e é normal que seja assim. 0 importante é que o fracasso tenha efeito formativo, que o cavaleiro se recolha, medite, vá para o campo, observe os toiros, procure aprender com eles, apure a técnica, treine. E os êxitos, quando surgem, são a energia que alimenta o gosto de estar em praça, de enfrentar o toiro e o público e de se impôr a um e ao outro.

 

:: 0 MATADOR DE TOIROS

Muito duro, exigente e selectivo este mundo do toureio. Não haverá talvez outra arte onde mais difícil se tome alguém vir a ser figura. Começa-se logo em garoto, muitas vezes levado por alguém da família ou por amigos que gostam de toiros e incutem esse gostar. Treina-se com o toureio de salão, uma tourada de faz de conta em que um homem faz de toiro, assim se aprendendo os lanços elementares, o princípio da técnica de tourear, Depois vem a tourinha, ainda tudo a fingir, para aprender a deixar as bandarilhas. Segue-se o treino com vacas, aí já e mais a sério já as cornadas fazem mossa, os erros pagam-se com o corpo.
É altura de começar a escolher, querendo ir por diante, a carreira pretendida: aspirante de novilheiro, ou praticante de bandarilheiro. E treinar muito, sempre sempre a aprender, nunca um homem sabe tudo e, sendo toureiro, menos ainda saberá. 

Matador de toiros é o topo da hierarquia no toureio apeado. Dos garotos que começaram, um dia, lá muito atrás, só um ou outro lá chegam. E não é culpa dos toiros, é mais por causa dos homens e das cornadas da vida. Quando se faz bem, são muitos os amigos que nos vem felicitar; quando se faz mal ou a vida é traiçoeira, ninguém sabe quem nós somos, ficamos sós neste mundo. E muitos não resistem, vão ficando pelo caminho, que é cada vez mais estreito e mais difícil de andar. 

Aguentar, templar, parar, mandar. É assim que se toureia, aguentando a investida, tocando na velocidade do toiro, fixando os pés na arena até ao fim do muletazo e deixando o toiro equilibrado para o que vem a seguir. Tudo parece ser simples e quanto mais simples parece mais perfeita está a arte.

0 toureio, para além de muita técnica, tem em si muitos segredos e muita intuição. Basta pensar que, sendo redonda a arena, nem todos os pontos são bons para se lidar um toiro e nem todos os toiros se lidam no mesmo sítio, depende do jeito deles. Do mesmo modo, há-de o matador colocar a muleta onde o toiro a tome, tanto podendo ser adiante como atrás de si, e tudo isto se decide ali, em face do toiro que se tem para lidar, nunca outro foi assim nem jamais outro será.

Depois há o público as ovações, os silêncios, as vaias. A corrida é como a tragédia grega, o toureiro, é o actor e o público intervém, para o bem e para o mal. E, como no teatro, também na arena se morre. Com a diferença que no teatro se morre a fingir e na arena se morre de verdade.

 

:: 0 BANDARILHEIRO

Pegar um homem num par de bandarilhas, saltar à arena, chegar-se ao toiro e deixá-las em seu sítio, arrancando uma ovação, é um sonho que muitos perseguem e só alguns conseguirão alcançar.

Mas ser bandarilheiro não é só bandarilhar. É integrar uma quadrilha, o grupo de confiança que o matador tem em praça, ou então o cavaleiro, mas aí é peão de brega o nome que se lhe dá.

É, também este, um caminho defícil para quem o queira fazer. É muito pequeno o mundo em que estes homens se movem, toda a gente se conhece, muitos são os que começam, só alguns chegam ao fim.

Ser bandarilheiro é trabalho profissional, havendo mesmo um Sindicato dos Toureiros Portugueses que emite carteiras de identificação e zela pelos interesses da classe e da arte. Mas não dá para viver, na maior parte dos casos, de jeito que o bandarilheiro trabalha toda a semana, noutra profissão que tenha, para poder ganhar a vida, e vai tourear aos domingos, por ser a sua paixão.

É profissão exigente esta de bandarilheiro. Tem de se estar sempre em forma, há um físico para cuidar, e é preciso treinar muito, com os companheiros da quadrilha, de modo a fazer equipa, e com o cavaleiro e o cavalo, lidando vacas, nos tentaderos, a todos se adaptando por ser da coesão do grupo que depende a qualidade do desempenho e o desfecho da lide. 

Ao longo da sua carreira, que pode durar muitos anos, muitas vezes o bandarilheiro, como todos os outros artistas que a Festa tem, há-de vestir de toureiro para se apresentar a preceito. Vestir é um ritual, cumprido com o respeito que os rituais merecem, ainda mais sendo este, num mundo onde a fé e a superstição comandam os gestos dos homens e podem determinar, para o bem ou para o mal, não uma tarde mas a vida.

Chegado ao quarto de hotel, desfaz o toureiro o lio, o saco mais modernamente, e dispõe todas as peças do seu fato de tourear nas costas de uma cadeira. A jaquetilha fica sempre com a abertura para trás, é assim que dará sorte, e tudo se cobre com o capote de cortesias, formando um lindo conjunto. 

Na tarde da corrida, a seguir ao almoço, que deve ser sempre frugal, é bom dormir uma sesta, mesmo que seja pequena, porque descontrai e acorda um homem depois como sendo de manhã. É então que chega a hora de o toureiro se preparar para seguir para a praça.

0 ritual do vestir, que os toureiros gostam de cumprir com rigor e com vagar, é um acto colectivo. A quadrilha reúne-se, cavaleiro e peões de brega, matador e bandarilheiros, podendo ainda estar o apoderado, e, enquanto se vestem, vão conversando, de toiros, é bom de ver, dos prognósticos para a tarde, da sorte que os espera. É afinal, um modo de chamar por ela.

É pelos pés que o toureiro começa o ritual do vestir, calçando as meias e prendendo-as com ligas. Eram brancas, dantes, as meias, mas agora são vermelhas e têm uma farpa bordada. Veste a seguir a taleguilla, nome espanhol, mas mais toureiro, de chamar As calças de tourear que são de uma extrema justeza, colando-se rigorosamente ao corpo. Em baixo, apertam-se os machos. Ao matador é o moço de espadas quem os aperta, mas os bandarilheiros, que são subalternos, têm de tratar de si. Calçadas as sapatilhas, está completa a parte inferior do corpo.

Antes de passar adiante, põe o toureiro a coleta, a castanheta, como Ihe chamam agora. É um símbolo, uma lembrança dos tempos em que os toureiros deixavam crescer a trança, orgulho da sua classe que os distinguia dos demais, até à última tarde, cortando-a ritualmente na hora da despedida.

A camisa é sempre branca e leva uma gravata, essa é que é colorida, Jogando com a cor da faixa que cinge a roupa à cintura e jogando com o tom do traje de luces, vermelho, verde, azul.

Ajustada a taleguilla e presa com suspensórios, abotoa-se, coloca-se a faixa e pode-se então vestir o colete. É chegado o momento especial, em que o toureiro se abeira mais da cómoda, onde dispôs os santinhos da sua maior devoção, e reza.

Falta vestir a jaquetilha. É sempre com ajuda que essa tarefa se faz, não só pela dificuldade do vestir, mas pelo gesto que acompanha o ritual: quem ajuda ajuda mesmo, bate nas costas e diz sorte! e essa é a ajuda maior.

Está na hora de ir para a praça. Não se pode esquecer a montera que se há-de pôr na cabeça. Ela está em qualquer lado menos em cima da cama e, no caso dos matadores, brindando, não ficará nunca na arena de boca virada para cima.

Na praça há muitas vezes uma pequena capela. É bom passar por lá e fazer uma derradeira oração ou, ao menos, benzer-se o toureiro ao passar em frente a ela.

E enfim, a arena. Pé direito ao entrar, a mão desenha o sinal da cruz, Pai, Filho e Espírito Santo e dá um toque na trincheira. Dai a pouco estará aí o toiro. Pois que venha, que para isso cá estamos, com ele gostamos de estar.

 

:: O FORCADO

Um grupo de forcados é, antes de mais, um grupo de amigos com uma paixão em comum, o gosto de pegar toiros... Tudo o mais virá depois, com trabalho e entreajuda, entre êxitos e fracassos, nos treinos e nas corridas. A tradição, dedicação e bravura, são valores que o tempo não apaga das memórias de um povo, aquem a história tem priviligiado com grandes Homens nesta Vila no coração do Ribatejo.
0 ambiente que envolve o grupo na tarde em que vai pegar é de contagiante alegria e começa muito antes do toque para saltar a arena, quando todos se reúnem, nas imediações da praça, para trajar de forcado, calção, jaqueta, barrete.
 
Depois sai a festa à rua, no caminho que leva à praça, por onde vai outra gente, misturam-se os forcados com ela, é uma alegria para os olhos o colorido que trazem e uma comoção para a alma as emoções que suscitam, mormente entre as moças que por ali andam a jeito de os ver passar.
 
Mantém-se coeso o grupo durante toda a corrida, coeso porque está junto, coeso por estar unido, coeso por ser solidário. Não é ninguém o forcado não estando o grupo com ele. E o cabo, que o comanda, é a figura primeira, todos sabem que depende dele, e das decisões que tomar, o êxito que o grupo vai ter e por isso o cabo é um forcado diferente, que toda a gente respeita, pelo que é e pelo que sabe, e não se discute o que ordena, nem isso passa pela cabeça de ninguém, a obediência é uma sujeição assumida, a hierarquia é a base da segurança nestes momentos de risco. 

Saiu o toiro do curro, este que calhou em sorte ao grupo, e todos repetidamente se benzem. Não vêem os olhos outra coisa, durante o tempo da lide, que não seja o toiro que ali está, como é, como investe, se tem casta ou é manso, como irá comportar-se tendo o forcado na frente. E mais que todos o cabo atenta em tais características e é em função delas que decide, pouco antes de tocar para pegar, quem vai para a cara e quem faz as ajudas sucessivas.

A pega é um acto artístico que tem de ter beleza e emoção, no pôr o barrete, no citar, no enfrentar, no pegar. E é, dizem os forcados, um prazer indescritível fechar-se um homem na cara do toiro, e ir pela praça fora, aguentando os derrotes, até o grupo acudir e tudo se consumar. É esse prazer enorme que leva o forcado à praça, arriscando a própria vida para o poder desfrutar.

Fico dominado o toiro quando o grupo o faz parar. Sendo bravo o animal, rende-se e entrega-se num gesto de pura nobreza. Se bare e espreneia, se continua a agitar-se, não o faz por ter bravura, mas apenas por ser manso, não é luta que quer dar, o que lhe apetece é fugir. É dos primeiros que os forcados mais gostam, como afinal, toda a gente que sabe apreciar uma corrida de toiros. 

Vem depois a volta à arena, se o forcado a merecer. É a consagração ao lado do cavaleiro, que para  isso o convidou, e com a quadrilha atrás, recebendo flores e aplausos, sentindo dentro de si uma alegria incontida.
Também pode correr mal a pega de algum toiro e quando isso acontece, tem o grupo de descobrir um geito de o pegar, de caras ou de cernelha, o que não pode acontecer é sair o "toiro vivo".


Na corrida à portuguesa, que é única no mundo, há um conjunto de aspectos que lhe dão especial encanto, mas o que realmente acende a alma dos aficionados é a Pega de Caras. Homem e toiro sem mais... Corajosamente forcado... É sempre ele que a faz! Moço do povo que somos, mas que nunca hesita em pegar esta vida de frente...

 

Hino dos Forcado Amadores da Chamusca

Por D. Maria Mimela Cid (Madrinha dos Forcados)

Sou duma terra de cavaleiros
Grandes campinos e pegadores
Peões de brega e ganadeiros
De poetas e de cantores.

Visto jaqueta de pano antigo
Que a minha noiva me deu de prenda
Calção justinho da cor do trigo
Cinta vermelha, meia de renda.

Pega-se um toiro, pegam-se dois
Pega-se o curro que sair depois
Amigo vem, farda a meu lado
Chamusca é mãe e noiva do forcado.

  
No meu barrete, cor da folhagem
Sujo de pranto, sangue e suor
Dentro do forro trago a imagem
De Jesus Cristo, Nosso Senhor.

Sob a camisa, imaculada,
Junto do peito, como um tesoiro
Uma bandeira trago guardada,
Com a Chamusca, bordada a oiro.

 

:: 0 CAMPINO

Campino, homem do campo, lindo nome lhe puseram. Homem simples e discreto, passa quase sem se ver numa corrida de toiros, sem direito a volta a arena, no fundo da hierarquia.
 
0 seu modo de trajar, em dias de festa pública só nesses dias se vê. Nos mais, veste como pode, o seu trabalho é com o gado, não tem que andar bem vestido. Sendo embora homem modesto e pouco dado a evidências, sabe o campino que, sem ele, não era a Festa o que é. E talvez não saiba, mas é certo, que é a sua figura, de homem simples do campo, que trouxe até ao nosso tempo a memória da funda relação que temos, nestas terras da lezíria, com cavalos e gado bravo. É no campo que tudo começa, nasce, cresce, vive, faz-se. Esse é o mundo do campino, é aí que se sente bem, no meio dos animais.

Muitos dos nossos campinos, que atravessaram mais de metade do século nesta sua profissão, começaram nas tralhoadas, quando os toiros se amansavam para servir na lavragem. Em moços foram rabeiros, assim chamados por trabalharem todo o dia com a rabiça da charrua, e brochavam os animais, forçando-os a admitir a canga. Alguns ainda se lembram de terem entrado com o gado, para a corrida da Ascensão, da Senhora do Amparo, dos lados da Lagarteira, até à praça de Toiros, quando se metiam os toiros por baixo, até aos anos quarenta. Depois, numa outra fase, entravam os toiros por cima, iam até ao Bonfim, enquadrados pelos campinos, e desciam aos celeiros, chegando depois à Praça.

Era isso trabalho simples, se assim se pode dizer, e feito para festejar. Porque tarefa difícil, que até custa a acreditar que fosse possível fazer, era levar daqui o gado, dos arredores da Chamusca, aos campos de Vila Franca. Mais de duzentas cabeças, toiros, novilhos, cabrestos, por três dias de caminho, a fugir aos povoados para evitar azares, como se fosse uma entrada a cruzar o Ribatejo.

Era um ciclo que se repetia, ano após ano, tal qual, seguindo o mesmo caminho, em chegando a Primavera e o regresso no Verão. Ficavam por cá as vacas e os bezerros de mama. Tudo o mais ia-se embora para a imensidão das pastagens para os lados da Ponta de Erva.

Num dia de madrugada, mal a luz deixasse andar, saia o gado das cercas, os campinos aacompanhar, um à frente, outros atrás, por essa charneca fora, Vila de Rei, Vale da Lama, Gagos e Ponte Velha, já a chegar à Raposa, e aí se pernoitava. Depois, por caminhos de estevas, longe de todos os lugares, até à Glória e aos Foros de Salvaterra, A Herdade das Figueiras, para ficar segunda noite.

E finalmente, no último dia, Muito caminho para andar, cruzar o Sorraia, evitar Benavente, sair ao Vale Tripeiro e atravessar a Várzea para lá do Almansor e depois o Porto Alto e a ponte, não havia outra passagem, parava o trânsito, redobrava-se o cuidado, e lá seguia a manada a caminho do seu destino.

 

De lá havia de vir, já sem os toiros corridos. quando chegasse o calor, à procura das restevas que davam muito alimento. Esta vida de campino não tinha cama nem esteira, não sabia de conforto. nem de festas, nem de nada. Era trabalho e uns copos, bebidos em grupo pequeno, no meio dos animais. E alguns sustos, As vezes, quando um toiro tresmalhava, ou se deixava furar um cavalo ou se apanhava uma cornada no corpo que Deus lhe deu. Como se explica, então, que estes homens agora, tantos anos de vida assim, sintam saudades do tempo em que andavam nesta labuta? É por já não serem jovens ou por não serem campinos?

 

:: 0 AFICIONADO

Tem em si a paixão dos toiros, não perde uma boa corrida, fala delas com entusiasmo, emociona-se com o trinar de uma guitarra e com os versos de um fado ribatejano, sente-se bem nas tertúlias, tem afeição pela Festa, afición, como na gíria se diz, a Festa está-lhe no sangue, faz parte da sua vida.
Lamenta que a Festa nem sempre seja entendida, que haja tão pouca cultura taurina, que se evidenciem os fracassos, as colhidas, os toiros mansos, em vez dos êxitos, dos triunfos, da nobreza dos animais. E diz que a maior parte dos que se manifestam contra as touradas não sabem nada de toiros, falam de um mundo que não entendem, prestam um mau serviço à cultura portuguesa.
Se lhe perguntamos o que o leva a uma corrida, responde em quatro palavras: a emoção, a arte, a surpresa, o toiro. 0 toiro, o toiro é um animal extraordinário, sem igual na Criação. 0 toiro merece tudo. A afición, é por ele.

 

:: AS TERTÚLIAS

Há amigos que se juntam, no remanso do defeso, em longas noites de Inverno, ao calor de uma lareira num ambiente taurino, com uma guitarra à mão, uns petiscos para assar, um tinto colheita caseira e uma grande vontade de conviver, com a Festa de toiros por cenário, na parede e na conversa. É a tertúlia um dos mais castiços espaços da cultura da Borda D´Água, o campo, o toira e a festa trazida para dentro de casa. 

Forcados, bandarilheiros, aficionados, gente que gosta de toiros e de cavalos, sentam-se à volta da mesa e, dadas as boas noites e feito, se é que se fez, um breve comentário ao tempo que anda fazendo, às chuvadas deste Novembro, vai a conversa para os toiros. É deles que gostam de falar, que gostam e que sabem, e falam para aprender mais, ums com os outros, a tertúlia é uma assembleia de cultura taurina onde a gente se sente bem.

Às vezes discute-se com calor, discorda-se, formam-se grupos de opinião, toma-se partido por esta ou por aquela, há quem seja mais adepto deste toureiro ou do outro, deste estilo ou daquele. Dantes, nos tempos de Diamantino Vizeu e de Manuel dos Santos, até havia os diamantinistas e os santistas que, nas noites de tertúlia, combatiam entre si, esgrimindo argumentos, apresentando razões, mas amigos, amigos sempre.

Passa-se em revista a temporada que lá vai, fazem-se prognósticos para a próxima, vêm à conversa as ganaderias e os produtos que delas saem, os sementais que se adquiriram para refrescar a manada, quem diz toiros diz cavalos, aquele fora de série que acabou de ser comprado pelo cavaleiro tal para renovar a sua quadra, a Feira da Golegã que passou há pouco tempo e o que ela nos deu a ver e aquela festa de campo, na Azinhaga vizinha.

Há sempre umas revistas de toiros e de cavalos, por onde se passam os olhos e que se vão comentando, enquanto a morcela assa, no braseiro da lareira, e se depenica uma azeitona ou um pedaço de queijo. Até que a certa altura, lá mais para o meio da noite, há uma guitarra que trina e toda a gente se cala. Acabou a discussão, se a havia, faz-se um silêncio de respeito, já se apagaram as luzes, ficou só o lume aceso e duas, três velas que ardem, adormecidas. Chegou a hora do fado, uma pausa para fechar os olhos e ir ao fundo da nossa alma. 

 

 

 

 

Ler 4458 vezes Modificado em sexta, 09 outubro 2015 16:15

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    Morada: Rua Anselmo de Andrade, nº 53

    2140-081 Chamusca - Portugal

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    Telefone: +351 249 769 300

    Fax: +351 249 769 309

     

  • Gabinete de Proteção Civil Municipal

    Morada: Largo da República (B.V.C)

    2140-133 Chamusca - Portugal

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    Telefone: +351 249 760 229

    Fax: +351 249 760 700

  • Centro de Inclusão Social da Chamusca

    Morada: Rua Sousa Girão, n.º 18

    2140-141 Chamusca - Portugal

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    Telefone: +351 249 769 600

     

  • Serviço de Apoio ao Munícipe

    Morada: Rua Direita de S. Pedro 

    2140-098 Chamusca - Portugal

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    Telefone: +351 249 769 100

    Fax: +351 249 760 211

  • Junta de Freguesia de Carregueira

    Morada: Rua Direita, 80

    2140-665 Carregueira - Portugal

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    Telefone: +351 249 740 244

    Fax: +351 249 741 053

  • Junta de Freguesia de Vale de Cavalos

    Morada: Rua Junta de Freguesia, nº 17

    2140-405 Vale de Cavalos - Portugal

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    Telefone: +351 249 780 167

    Fax: +351 249 780 086

  • União de Freguesia de Parreira e Chouto

    Morada: Bairro Novo, 28 - Parreira

    2140-519 Parreira - Portugal

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    Telefone: +351 249 771 051

    Fax: +351 249 771 612

  • Junta de Freguesia de Ulme

    Morada: Rua Viriato Cabreira, 21 - Ulme

    2140-383 Ulme - Portugal

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    Telefone: +351 249 770 284

    Fax: +351 249 770 344

  • União Freg. Chamusca e Pinheiro Grande

    Morada: Largo Conde Ferreira - Chamusca

    2140-069 Chamusca - Portugal

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    Telefone: +351 249 760 074

    Fax: +351 249 760 679

  • Escola Básica do 1º Ciclo da Carregueira

    Morada: Rua Casal da Amendoeira

    2140-674 Carregueira - Portugal

    Telefone: +351 249 741 248

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  • Escola Básica do 1º Ciclo da Chamusca

    Morada: Rua Heróis da Res. Anti-Fascista

    2140-133 Chamusca - Portugal

    Telefone: +351 249 761 413

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  • Escola Básica do 1º Ciclo da Parreira

    Morada: Rua 1.º de Dezembro

    2140-512 Chamusca - Portugal

    Telefone: +351 249 771 211

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  • Escola Básica do 1º Ciclo do Chouto

    Morada: Travessa das Escolas

    2140 Chouto - Portugal

    Telefone: +351 249 771 655

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  • Escola Básica do 1º Ciclo de Ulme

    Morada: Rua do Chafariz

    2140-374 Ulme - Portugal

    Telefone: +351 249 770 277

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  • Escola Básica do 1º Ciclo Vale de Cavalos

    Morada: Rua da Fonte

    2140-410 Chamusca - Portugal

    Telefone: +351 249 780 410

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  • Farmácia São Pedro

    Morada: Rua Direita S. Pedro 127, Chamusca

    2140-098 Chamusca - Portugal

    Telefone: +351 249 760 378

  • Farmácia Joaquim Maria Cabeça

    Morada: Largo João Deus 14, Chamusca

    2140-076 Chamusca - Portugal

    Telefone: +351 249 760 299

    Fax: +351 249 761 067

  • Proteção Civil da Chamusca

    Larqo da República, 3 (junto aos B.V.C)

    2140-133 Chamusca - Portugal

    E-mail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

    Telefone: +351 249 760 229 / 249 769 105

    Fax: +351 249 760 700

  • GNR - Posto Territorial de Chamusca

    Morada: Avenida Dr. Carlos Amaro

    2140-054 Chamusca - Portugal

    E-mail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

    Telefone: +351 249 769 030

    Fax: +351 249 769 031

  • Bombeiros Voluntários da Chamusca

    Morada: Larqo da República, 3

    2140-133 Chamusca - Portugal

    E-mail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

    Telefone: +351 249 769 220

    Fax: +351 249 769 229

  • Santa Casa da Misericórdia da Chamusca

    Morada: Rua Engº João P Rolim - Casal do Pereiro

    2140-015 Chamusca - Portugal

    E-mail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

    Telefones: +351 249 769 080

    Fax: +351 249 769 089

  • Segurança Social da Chamusca

    Morada: Rua Mascarenhas Pedroso, 8

    2140-133 Chamusca - Portugal

    Telefone: +351 249 760 403

    Fax: +351 249 761 004

  • Centro de Saúde da Chamusca

    Morada: Largo Sacadura Cabral - Chamusca

    2140-078 Chamusca - Portugal

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    Telefones: +351 249 769 170 / 172

    Fax: +351 249 760 709