Já te dou o Arroz - Freguesia de Ulme

A freguesia de Ulme recebe pela primeira vez o evento “Já te Dou o Arroz”, um certame dedicado a promover o arroz, um produto endógeno e tradicional da freguesia de Ulme, onde existem vastas extensões de arrozais e onde o arroz é uma fonte de riqueza para as famílias.
O Município da Chamusca e a Junta de Freguesia de Ulme organizam, de 20 a 22 de setembro, um novo evento para a promoção deste produto, à semelhança do que já acontece há três anos na Parreira com o Festival do Cogumelo. O evento vai contar com a confeção e apresentação de pratos e doçaria de arroz, além de atividades paralelas como sessões de showcooking, animação infantil, desporto, Trail das Famílias, Trilho dos Arrozais da Freguesia de Ulme, benção do arroz, música, pintura ao vivo, bares e expositores.
III Festival do Cogumelo da Parreira

De 1 a 3 de março, realiza-se a III edição do Festival do Cogumelo da Parreira, um evento de dinamização e promoção territorial, organizado em parceria pelo Município da Chamusca e pela União de Freguesias de Parreira e Chouto.
O objetivo do evento é apoiar os produtores e agentes económicos locais a dar destaque a um produto com mercado e com históricas ligações à economia do nosso concelho.
O cogumelo está a ter uma procura crescente nos mercados nacionais e internacionais e tem inúmeras utilizações gastronómicas. É um recurso endógeno próprio do nosso concelho e um produto de excelência com novas formas de produção modernas que se mostram e incentivam neste certame. Em torno do festival juntam-se atividades de animação e música, exposição e mostra gastronómica, cozinha ao vivo, bares e restauração, mostra de artesanato local e do trabalho associativo.
Programa completo
1 de março – Sexta-feira
19h30 - Abertura do certame com atuação do Grupo de Cantares da Parreira | Visita aos Expositores e ao recinto
19h30 – Demonstração e degustação de iguarias com cogumelos, servidas pela Escola Profissional do Vale do Tejo
20h30 – Atuação do Rancho Folclórico da Parreira
21h15 – Prato do Restaurante vs Prato Lá de Casa
22h00 – Inauguração e abertura do stand de petiscos com a presença e orientação da micóloga e especialista em cogumelos silvestres Marta Ferreira
22h30 – Chá e Bolo de Cogumelos | Stand dos Petiscos
23h30 - Atuação da banda Bezourinhos del Ferdinand | Continuação do Baile com Dj Barral
2 de março – Sábado
10h00 – Passeio de Motores Antigos 3P’s Team
14h00 – Desmistificação de mitos sobre cogumelos com Marta Ferreira
16h30 – Livecooking com Diogo Costa
17h45 – Livecooking com Bimby
19h30 – Showcooking com Chef Chakall
22h00 – Atuação de Rouxinol Faduncho
00h00 – Atuação de Wilson Honrado (Dj Rádio Comercial)
3 de março – Domingo
10h30 – Passeio micológico conduzido pela micóloga Marta Ferreira (inscrições prévias para contatos 249 771 051 | 249 771 336)
12h30 – Sopa de Cogumelo servida pelo Ranho Folclórico da Parreira
14h30 – Workshop “Como Cultivar Cogumelos em Casa” pela micóloga Marta Ferreira
15h00 – Atuação da Charanga “Os Batatas” pelo recinto
17h00 – Concurso “Melhor Prato em Família”
19h30 – Showcooking com Chef Marco Costa
21h00 – Atuação de Miguel Azevedo
Chamusca representada na Carta Gastronómica do Ribatejo

A Carta Gastronómica do Ribatejo foi apresentada no dia 1 de novembro, pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo/Ribatejo, e inclui diversas receitas tradicionais da Chamusca, disponibilidades por utentes do Lar da Santa Casa da Misericórdia, Universidade Sénior da União de Freguesias da Chamusca e Pinheiro Grande e da Casulme – Centro de Apoio Social de Ulme.
O guia reúne cerca de 600 receitas comuns do dia-a-dia dos nossos avós, das tradições dos 11 concelhos que integram a Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo, e que foram recolhidas pela Confraria Gastronómica do Ribatejo, num projeto liderado pela Entidade de Turismo. A obra é composta por dois volumes e reflete também sobre os aspetos históricos da alimentação do Ribatejo, nomeadamente, da importância dos produtos da terra, como a carne de toiro bravo.
No lançamento da Carta, os municípios representados no livro apresentaram uma mesa com alguns das receitas e produtos contidos no guia.
O Dia da Chamusca no Festival de Gastronomia assinalou-se a 2 de novembro, com uma tarde e noite cheias de atividades, provas de produtos tradicionais do nosso concelho e divulgação da Chamusca junto dos visitantes do certame.
Doçaria Tradicional
"A doçaria chamusquense assenta essencialmente nos doces à base de ovos, não podemos esquecer que nos encontramos numa zona predominantemente agrícola onde até finais dos anos setenta a maioria das pessoas criava galinhas em casa. Sabemos que desde o século XIX a Chamusca possuía uma afamada doceira de trouxas-de-ovos, o seu nome era Ana Cuca. Ana Cuca foi transmitindo a receita às pessoas de família tendo chegado aos dias de hoje. Como a receita chegou à Ana Cuca ignoramos. Também Elisa Simões é outra eximia doceira chamusquense que aprendeu com a sogra, Rosa Ambrósio, e que levou a doçaria da Chamusca a ultrapassar fronteiras. Hoje devido à idade Elisa Simões vê a sua arte ter continuação na nora Graça Simões.
Na doçaria chamusquense salientamos : Trouxas -de - ovos, lampreia de ovos, queijinhos do céu, Peixe doce, fios de ovos, broas variadas, sopa dourada, e vários pudins de ovos."
Texto Autoria, Dra. Paula Ribeiro, Tecnica Superior CMC

Um pouco de história...
E passemos ao peixe doce, o peixe é só na aparência, o doce é que é verdadeiro. É do tempo em que os rapazes tinham pavor de ir à tropa e então se tratava de arranjar alguém que os livrasse dela. E depois para agradecer tão importante favor, era uso dar-se um doce, coisa bem apresentada, que fosse da região. Ora nessa mesma época dava o Tejo mais fartura de peixe de arribação, como a lampreia e o Sável, e de um e outro se tirava inspiração para se fazerem doces dos mais distintos que havia. Apresentado em travessa, dois limões a cada extremo, quem olhar há-de pensar que é peixe de verdade, acabado de vir do forno.
A lampreia, de ovos, bem entendido, era mais para dar ao médico, quando tinha de ir a casa, ver alguém adoentado e não houvesse dinheiro para pagar a consulta. A receber o senhor doutor estava sempre uma bacia, a melhor que tinha a casa, e uma toalha de linho, só para essas ocasiões, para que lavasse as mãos. E à despedida, em não havendo melhor, dava-se o melhor que se podia, a dita lampreia de ovos.
Para envolver os doces, a lampreia e outros mais, há lindos napperons de papel, recortados com tesoura e muita imaginação, que dão um toque distinto com a sua simplicidade. vêm do tempo das freiras, dos vagares conventuais, do requinte que se consegue mais com arte que com bens. E são uma maravilha, todos únicos e irrepetíveis, para durarem
Receitas Tradicionais

~ Trouxas de Ovos ~
12+3 gemas
1 Kg de açúcar
0.5 l de água (ponto de espadana)
1 cálice de licor
Leve o açúcar a ponto de fio brando (ponto espadana), adicione o licor e as 12 gemas previamente batidas e passadas pelo passador de rede (tenha o cuidado de não deixar ganhar muita espuma no ponto, por isso deite de vez em quando umas gotas de água fria). Deixe-as ficar na calda até que fiquem bem passadas dos 2 lados e deixe escorrer. Para o recheio, na mesma calda, coza as outras 3 gemas, mexendo até fazer ponto de estrada. Enrole de maneira que fiquem em forma de trouxas, disponha-as numa travessa e regue-as com a calda de açúcar que sobrou (A última cauda deixa-se queimar levemente e com uma colher, muito depressa, faça a teia a seu gosto).

~ Rabanadas de Mel ou Ricas ~
Leite qb.
Canela qb.
Açúcar qb.
3 ovos
Pão com massa compacta
(sem buracos e de véspera)
2 dl de mel
1 dl de vinho do Porto
2,5 dl de água
Passe as fatias por leite adoçado (açucarado), escorra-as e passe-as pelos ovos batidos. Frite-as em bom azeite e deixe-as escorrer. Coloque-as em prato largo. Prepare logo a seguir a calda, levando a lume brando numa caçarola, a água com o mel e o vinho do Porto. Deixe ferver lentamente até ficar com consistência axaropada. Regue com este preparado as fatias e polvilhe com canela.

~ Bolo de Mel ~
1 l de mel gotejado
1/2 l de azeite
1 colher de sopa de canela em pó
6 cabeças de cravinho ralado
1 pitada de erva doce
12 ovos
Farinha de trigo qb
Amêndoas Secas para decorar
Junta-se tudo excepto a farinha e durante 15 minutos bate-se muito bem, e vai-se então deitando a farinha a pouco e pouco até a massa ficar consistente mas não muito. Deita-se depois esta massa numa forma grande untada de manteiga de vaca e leva-se a cozer ao forno. Uma vez que se reconheça estar já bem cozido (com a prova do palito seco), retira-se da forma, coloca-se sobre um prato grande e ainda quente sem desmanchar o "formato" corta-se em fatias e polvilha-se com o açúcar em pó. Depois espetam-se em cada fatia, flores de laranjeira e amêndoas secas para decorar. Nota: Há quem faça esta receita e vaze a "massa" em formas pequenas, guarde os bolos em latas fechadas. Passados alguns dias são mais saborosos.

~ Peixe Doce ~
250 gr. de Açúcar
3 Claras
250 gr. de Amêndoas
A amêndoa é pisada, pelada, ralada e repisada com um bocadinho de clara. Mistura-se com o açúcar e duas claras e vai esta massa ao lume até engrossar. Se for preciso outra clara pode deitar-se, o principal é deixar engrossar a massa bem.
Para decorar:
200 gr. de Açúcar
12 Gemas de ovos
Água qb.
1 Ginja
Põe-se 200 gr. de açúcar ao lume com uma pinguinha de água. Em estando em ponto faz-se neste açúcar, 6 gemas de ovos em fios e faz-se depois também à parte, e em igual porção de açúcar e de gemas, ovos moles. Arma-se o peixe em cima de hóstia ou papel do feitio de um goraz. Forma-se um bordo em toda a volta. Deitam-se os ovos moles e por cima os fios de ovos e a última camada da espécie branca. O olho é uma ginja. Para se estender a massa branca vai-se deitando açúcar pilé, para não se pegar aos dedos. Depois de armado, fazem-se as escamas com uma faca quente, o feitio da cabeça, etc.

~ Lampreia de Ovos ~
300 g de Açúcar
1 dl de Água
6 Gemas
50 g de Amêndoas peladas e raladas finamente
Fios de ovos qb.
Placas de ovos qb.
Para decorar:
1/2 Pêra cristalizada
2 Cerejas cristalizadas
1/2 Clara batida em castelo
100 g de Açúcar em pó
Leve ao lume 300 g de açúcar com a água e deixe ferver até ponto pérola. Retire do lume e deite a pouco e pouco sobre as gemas previamente desfeitas, mexendo sempre. Junte as amêndoas e leve de novo ao lume a engrossar um pouco. No prato de serviço, disponha um pouco de fios de ovos armando-os com a forma de lampreia. Cubra com o creme de ovos preparado e por cima disponha placas de ovos de forma a cobrir completamente os fios de ovos. Coloque ½ pêra cristalizada no sítio da boca e 2 cerejas cristalizadas no sítio dos olhos. Decore com a clara batida em castelo com 100 g de açúcar passados pelo saco de pasteleiro munido de um bico liso e fino. À volta disponha mais fios de ovos.

~ Velhoses ~
(Filhós de Abóbora)
1 Abóbora
125 gr. de Fermento de padeiro
3 Laranjas
Farinha qb.
Sal qb.
Coze-se a abóbora "menina" com umas pedras de sal, deixa-se ficar morna, deita-se dentro de um alguidar de barro no qual se põe uma toalha dobrada por baixo para não partir o alguidar ao bater a massa. Junta-se à abóbora 125 gr. de fermento de padeiro que já deve estar dissolvido em água fria, mexe-se com a mão até deixar tudo em caldinho, espreme-se duas ou três laranjas bem doce e deita-se logo a farinha, juntando-se toda de uma vez, amassa-se como o pão, aos poucos vai-se juntando água morna amassando sempre até a massa se soltar das mãos e o fundo do alguidar ficar limpo - assim se sabe quando os velhoses estão amassados. Deita-se uma mão cheia de farinha por cima e quando a farinha estiver quase toda desaparecida, estão prontos para ir fritar. Mas levam aí duas horas a "levedar", o alguidar tapa-se bem e fica "ao ar do lume".
Publicações
A Câmara Municipal da Chamusca editou, em 1988, uma publicação de grande interesse sobre Doçaria Tradicional do Concelho da Chamusca, um trabalho da Senhora D. Maria Manuel Salter Cid, que conheceu já duas reedições revistas (1991 e 1993) e que muito tem contribuído para a valorização e a divulgação da nossa doçaria, compilando as receitas dos doces mais significativos do Concelho, algumas delas vindas do século passado.
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