CPCJ da Chamusca promove sessão sobre o impacto da violência doméstica nas crianças e jovens
Conteúdo atualizado em26 de novembro de 2025às 15:50
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No âmbito do Mês da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância, a CPCJ da Chamusca, em colaboração com o Município e a APAV, dinamizou uma sessão de sensibilização dedicada ao tema “Violência Doméstica: Impacto nas Crianças e Jovens”.
A iniciativa reuniu profissionais da área social, forças de segurança e técnicos da rede de apoio à infância, com o objetivo de refletir sobre os efeitos da exposição à violência doméstica no desenvolvimento emocional, psicológico e social dos mais novos.
A sessão foi conduzida pelo psicólogo Dr. Gustavo Duarte (Gabinete de Apoio à Vítima de Santarém), que abordou as diferentes formas de violência — física, psicológica, económica, sexual e social — e destacou que, mesmo sem agressão direta, viver num ambiente violento tem impactos profundos: insegurança, ansiedade, dificuldades escolares e isolamento.
Durante a sessão, foram apresentados dados do Relatório Nacional de Segurança Interna (RASI 2024) sobre violência doméstica. Em 2024, registaram-se cerca de 30 mil denúncias em todo o país. No mesmo período, 23 mulheres perderam a vida em resultado deste tipo de crime, além de 10.430 registos de violência contra menores de 16 anos, em contexto familiar — um número alarmante. Estes dados sublinham a urgência de reforçar os mecanismos de proteção e prevenção, com especial atenção às vítimas mais vulneráveis.
Discutiram-se também os dados mais recentes referentes ao concelho da Chamusca, que acompanham a tendência nacional de aumento das denúncias e sinalizações. De acordo com o relatório local, a maioria das situações reportadas está relacionada com a exposição de crianças a comportamentos violentos no seio familiar — uma realidade preocupante que exige atenção contínua.
Foi sublinhado que “as CPCJ não existem para retirar crianças às famílias”, mas sim para proteger os seus direitos e garantir o seu crescimento em ambientes seguros, estáveis e afetivos. A sua intervenção centra-se no apoio às famílias, prevenindo o agravamento das situações de risco.
A denúncia de situações de violência foi igualmente destacada como um elemento essencial, sobretudo por se tratar de um crime público, cuja comunicação às autoridades constitui um dever legal e ético de todos os cidadãos.
A importância da intervenção em rede foi também reforçada, com destaque para a articulação entre saúde, educação, segurança e ação social, assegurando respostas integradas e ajustadas à realidade das vítimas.
A CPCJ da Chamusca reafirma o seu compromisso com a proteção da infância, lembrando que prevenir a violência e promover ambientes afetivos é uma responsabilidade coletiva, que se constrói todos os dias.